11.8.09

...

Perco pedaços pelo caminho
mal contenho aquilo que preciso carregar
Sou pedra, sou ponta de lança
Não choro, não falo, não ando
Nos momentos de solidão viajo em meus devaneios
Solto o corpo no ar.. e caio como pena
Grito alto, mas só os surdos me ouvem
Sou espinho, pimenta.
Sofro de excesso de consciência.

Sabrina
08/06/06

10.8.09

EPITÁFIO

Procures escrever tudo aquilo que sentes,
E procures viver tudo o que tu escreves,
E tudo aquilo que em teus versos inventes,
Em teu coração cuida que o conserves.

Mil rimas eu fiz, mas na vida não tive
Agir consoante a nenhum de meus versos.
Vivi longe deles, de modos diversos,
E poeta só é quem os seus versos vive

E se esta verdade em teu peito não gravas,
Farás belo canto e serás um esteta,
Mas como não fui, não serás um poeta
Se a tua poesia for só de palavras

2.8.09

De agora em diante

De agora em diante eu só vou observar.

Ouvir é melhor do que falar. Traz mais benefícios, faz-nos maior.

Soneto

Por que só eu, meu Deus, entre os mortais,
Carrego gravada em minha retina
Uma constante imagem feminina;
Por que só eu, meu Deus, e ninguém mais?

Por que todos no mundo, meus iguais,
Por crerem em Vós já não são cativos
De qualquer paixão, por Vós redivivos;
Por que não eu, a quem também amais?

Eu, que tenho convosco uma aliança
Forjada em minh'alma quando criança;
Por que a mim, meu Deus, me castigais?

Retireis dos olhos meus tal maldição;
Livrai-me destas algemas ou, então,
Por favor fechai-os, até nunca mais!

Rodrigo Thomaz

16.7.09

♦ Fragatas



Moça desliza faceira
e a poesia esgrima.

A vida passa ligeira
lá na Pereira da Silva
esquina com a Moreira.



Cláudio Rangel

8.7.09



A Lua narcisa
girou - saltou - mergulhou
no espelho do mar.



Cláudio Rangel

24.6.09

Belas Maldições

" Pode ser de alguma ajuda compreender as questões humanas para esclarecer que a maioria dos grandes triunfos e tragédias da história são provocados não pelas pessoas serem fundamentalmente boas ou más, mas por elas serem, fundamentalmente, pessoas."

Neil Gaiman & Terry Pratchett

17.6.09

Trabalho de Parto

Nascer em dia de sol, sentir-se aquecido, viver a
vida oferecida, reclamar nos choros sofridos, as fal-
tas que nos tiram o sono.

Apender a falar, a perceber os atos proibidos e
obedecer. Perder-se no emaranhado dos jogos, palavras
perdidas, soltas, sem sentido.

Extravasar no lamento solitário que se impôe na
liberação. Envergonhar-se das fraquezas postas a mostra,
como dor de ferida aberta.

Render-se a dor sofrida nesses tempos de procura
já cansada pelos insucessos, marcados em cada palmo
do corpo.

Sentir-se esmorecer as propostas de continuar por
não mais saber começar. Desaprender as trocas dos pas-
sos. Não se arriscar a recair.

Buscar o aconchego da solidão incomoda, converter-
-se ao isolamento por crer na facilidade maior de
sofer SÓ.

Entristecer.


Julio Vianna
19/05/1980

Prisioneiro

Deixar fluir pelos poros
o desalinho dos pensamentos
de voltar, abraçar e chorar.

Fazer ficar no corpo
a sensação do ultimo toque como
instantaneo, na parede, amarelado.

Sentir no nascer do dia
a esperança de reencontrar o passo
perdido na inesperada despedida.

Procurar no aconchego do entardecer
a força serena da certeza,
de saber possível a existência

Entregar a vida a si propria
e sorver em cada minuto
os riscos de saber querer
o encontro definitivo,
o quebrar dos grilhões da mente,
a liberdade de amar,
por amar.

Julio Vianna
06/08/1981

4.6.09

♦ Auto-retrato #5



O que mais me surpreende,
quando me olho no espelho,
é que paro para pensar
se aquele que ali está
me vê como eu o vejo.



Cláudio Rangel