Procures escrever tudo aquilo que sentes,
E procures viver tudo o que tu escreves,
E tudo aquilo que em teus versos inventes,
Em teu coração cuida que o conserves.
Mil rimas eu fiz, mas na vida não tive
Agir consoante a nenhum de meus versos.
Vivi longe deles, de modos diversos,
E poeta só é quem os seus versos vive
E se esta verdade em teu peito não gravas,
Farás belo canto e serás um esteta,
Mas como não fui, não serás um poeta
Se a tua poesia for só de palavras
10.8.09
2.8.09
De agora em diante
De agora em diante eu só vou observar.
Ouvir é melhor do que falar. Traz mais benefícios, faz-nos maior.
Ouvir é melhor do que falar. Traz mais benefícios, faz-nos maior.
Soneto
Por que só eu, meu Deus, entre os mortais,
Carrego gravada em minha retina
Uma constante imagem feminina;
Por que só eu, meu Deus, e ninguém mais?
Por que todos no mundo, meus iguais,
Por crerem em Vós já não são cativos
De qualquer paixão, por Vós redivivos;
Por que não eu, a quem também amais?
Eu, que tenho convosco uma aliança
Forjada em minh'alma quando criança;
Por que a mim, meu Deus, me castigais?
Retireis dos olhos meus tal maldição;
Livrai-me destas algemas ou, então,
Por favor fechai-os, até nunca mais!
Carrego gravada em minha retina
Uma constante imagem feminina;
Por que só eu, meu Deus, e ninguém mais?
Por que todos no mundo, meus iguais,
Por crerem em Vós já não são cativos
De qualquer paixão, por Vós redivivos;
Por que não eu, a quem também amais?
Eu, que tenho convosco uma aliança
Forjada em minh'alma quando criança;
Por que a mim, meu Deus, me castigais?
Retireis dos olhos meus tal maldição;
Livrai-me destas algemas ou, então,
Por favor fechai-os, até nunca mais!
Rodrigo Thomaz
16.7.09
♦ Fragatas
♦
Moça desliza faceira
e a poesia esgrima.
A vida passa ligeira
lá na Pereira da Silva
esquina com a Moreira.
♦
Moça desliza faceira
e a poesia esgrima.
A vida passa ligeira
lá na Pereira da Silva
esquina com a Moreira.
♦
Cláudio Rangel
24.6.09
17.6.09
Trabalho de Parto
Nascer em dia de sol, sentir-se aquecido, viver a
vida oferecida, reclamar nos choros sofridos, as fal-
tas que nos tiram o sono.
Apender a falar, a perceber os atos proibidos e
obedecer. Perder-se no emaranhado dos jogos, palavras
perdidas, soltas, sem sentido.
Extravasar no lamento solitário que se impôe na
liberação. Envergonhar-se das fraquezas postas a mostra,
como dor de ferida aberta.
Render-se a dor sofrida nesses tempos de procura
já cansada pelos insucessos, marcados em cada palmo
do corpo.
Sentir-se esmorecer as propostas de continuar por
não mais saber começar. Desaprender as trocas dos pas-
sos. Não se arriscar a recair.
Buscar o aconchego da solidão incomoda, converter-
-se ao isolamento por crer na facilidade maior de
sofer SÓ.
Entristecer.
Julio Vianna
19/05/1980
vida oferecida, reclamar nos choros sofridos, as fal-
tas que nos tiram o sono.
Apender a falar, a perceber os atos proibidos e
obedecer. Perder-se no emaranhado dos jogos, palavras
perdidas, soltas, sem sentido.
Extravasar no lamento solitário que se impôe na
liberação. Envergonhar-se das fraquezas postas a mostra,
como dor de ferida aberta.
Render-se a dor sofrida nesses tempos de procura
já cansada pelos insucessos, marcados em cada palmo
do corpo.
Sentir-se esmorecer as propostas de continuar por
não mais saber começar. Desaprender as trocas dos pas-
sos. Não se arriscar a recair.
Buscar o aconchego da solidão incomoda, converter-
-se ao isolamento por crer na facilidade maior de
sofer SÓ.
Entristecer.
Julio Vianna
19/05/1980
Prisioneiro
Deixar fluir pelos poros
o desalinho dos pensamentos
de voltar, abraçar e chorar.
Fazer ficar no corpo
a sensação do ultimo toque como
instantaneo, na parede, amarelado.
Sentir no nascer do dia
a esperança de reencontrar o passo
perdido na inesperada despedida.
Procurar no aconchego do entardecer
a força serena da certeza,
de saber possível a existência
Entregar a vida a si propria
e sorver em cada minuto
os riscos de saber querer
o encontro definitivo,
o quebrar dos grilhões da mente,
a liberdade de amar,
por amar.
Julio Vianna
06/08/1981
o desalinho dos pensamentos
de voltar, abraçar e chorar.
Fazer ficar no corpo
a sensação do ultimo toque como
instantaneo, na parede, amarelado.
Sentir no nascer do dia
a esperança de reencontrar o passo
perdido na inesperada despedida.
Procurar no aconchego do entardecer
a força serena da certeza,
de saber possível a existência
Entregar a vida a si propria
e sorver em cada minuto
os riscos de saber querer
o encontro definitivo,
o quebrar dos grilhões da mente,
a liberdade de amar,
por amar.
Julio Vianna
06/08/1981
4.6.09
♦ Auto-retrato #5
♦
O que mais me surpreende,
quando me olho no espelho,
é que paro para pensar
se aquele que ali está
me vê como eu o vejo.
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O que mais me surpreende,
quando me olho no espelho,
é que paro para pensar
se aquele que ali está
me vê como eu o vejo.
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Cláudio Rangel
♦ Soneto da Redenção
♦
Não esperava vê-la, de repente.
Não assim: vestida de azul profundo;
Tão bela, elegante, ao meu lado.
Eu vagava perdido pelo mundo!
Desde que sentido tudo acabado
Pensava que jamais amor teria.
Só desespero eu, então, vivia.
Te disse com franqueza, sem pecado.
Mas, tu me achastes e me cativastes.
E se pondo, feliz, ao meu encontro,
Daqueles males, todos, me curastes.
Eu, que morri de amor que não se quis,
Sinto-me, agora, novamente pronto.
Da carícia, em teu olhar, renasci.
♦
Não esperava vê-la, de repente.
Não assim: vestida de azul profundo;
Tão bela, elegante, ao meu lado.
Eu vagava perdido pelo mundo!
Desde que sentido tudo acabado
Pensava que jamais amor teria.
Só desespero eu, então, vivia.
Te disse com franqueza, sem pecado.
Mas, tu me achastes e me cativastes.
E se pondo, feliz, ao meu encontro,
Daqueles males, todos, me curastes.
Eu, que morri de amor que não se quis,
Sinto-me, agora, novamente pronto.
Da carícia, em teu olhar, renasci.
♦
Cláudio Rangel
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